06 de Setembro de 2010     
 
O pioneiro da fotografia publicitária
 
Francisco Afonso de Albuquerque - Fotógrafo
Francisco Afonso de Albuquerque nasceu em Fortaleza, no dia 25 de abril de 1917. O contato com a fotografia começou cedo, aos 15 anos de idade, quando realizou um documentário de curta-metragem, seguindo os passos dos pais que também eram fotógrafos. Em toda a vida profissional foi bastante reconhecido e fortemente valorizado, seu talento e criatividade lhe renderam mais de 10 prêmios nacionais e internacionais, numa época na qual a arte fotográfica não era tão valorizada como é hoje.

Entretanto, Chico Alburqueque ficou conhecido mesmo por ter sido o primeiro a realizar uma campanha publicitária com fotografia no Brasil, em 1948, quando já morava na capital paulista. Antes dele, as peças eram todas desenhadas. Na foto, que infelizmente não consegui encontrar para mostrar aqui, ele registrou um produto em still para a marca Johnson & Johnson, através da agência J.W. Thompson.


E para quem não sabe, foi ele quem abriu as portas para o nascimento da profissão de modelo no Brasil, quando começou a sair pelas ruas paulistanas tentando convencer as moças de família a posar para ele. Acho que ele teve muita dificuldade em conseguir algumas modelos, mas sempre foi atrás do que queria.



Em 1942 trabalhou junto com o grande diretor de cinema Orson Welles, ao registrar cenas de um filme que nunca foi finalizado: It’s All True. Também se especializou em retratos, o que lhe conferiu uma fama de pé-quente, já que os políticos fotografados por ele (Jânio Quadros e Juscelino Kubitschek) ganhavam as eleições. E em 1958 foi o primeiro brasileiro a importar um equipamento de flashes eletrônicos.


Mas foi de volta ao Ceará que realizou o seu mais belo trabalho. Lá ele capturou a vida dos jangadeiros de maneira tão graciosa que resultou em um livro com 63 imagens em preto e branco da praia cearense, que tem o mesmo nome do livro: Mucuripe.



Chico faleceu em dezembro de 2000, aos 83 anos, alguns dias antes do lançamento da 2ª ed de seu livro. Ele costumava dizer que um bom fotógrafo é uma mistura de matemático, físico, químico e sociólogo. Com certeza ele foi essa mistura, mas, acima de tudo, foi um artista dotado de muita criatividade e iniciativa!


Confira trechos de uma entrevista com Chico Albuquerque, publicada no livro Imagens da fotografia Brasileira, de Simonetta Persichetti.


O que o senhor fazia no estúdio?
Comecei a fazer retratos. Um trabalho muito diferente das tomadas de cinema feitas nas ruas. Antigamente, o fotógrafo erá só retratista. Ele não fazia muitas coisas além disso. Foi difícil trabalhar entre quatro paredes. Nada do que fazia dava certo. Meu pai resolveu então convidar um outro fotógrafo para me ensinar. E eu fui aprendendo. Esse fotógrafo era muito competente e tinha um nome gozadíssimo, T.X. Depois de seis meses, começou a faltar, até que acabou me deixando. Mas me deixou uma grande lição. Ele sempre dizia: “Chico, para ser fotógrafo não basta enxergar, é preciso ver”.


Quando o senhor ficou então sozinho, o que fez? Já estava pronto para fotografar?
A primeira cliente que apareceu foi a esposa do interventor. Uma senhora enorme, loira, com um vestido longo cor-de-rosa e um leque de penas. Ela queria uma foto de corpo inteiro. Fiquei atrapalhado. Fiz o trabalho. Ela gostou e me fez uma grande encomenda. Daí em diante fui caminhando entre erros e acertos, e com a concorrência de um fotógrafo da época muito bom, que se chamava J. Ribeiro e que teve trabalhos premiados em Paris em 1922. Mas fui lutando e abrindo meu caminho.


Como o senhor vê a fotografia de publicidade hoje?
Ela evoluiu bastante. O fotógrafo não precisa mais perder tempo com técnica. As máquinas e os computadores hoje resolvem tudo. Tem produtoras à vontade, cenários à vontade. Por outro lado, a concorrência é muito grande. Está muito duro conseguir trabalho.


Sim, mas estou me referindo a outra coisa. O senhor tinha que se virar para fotografar. Hoje tudo está mais fácil. O senhor acha que o fotógrafo perdeu seu lado criativo?
Ao contrário. Já que não se preocupam com o lado técnico, desenvolveram seu lado criativo. Quem trabalha para o setor publicitário está resolvendo problemas dos outros. É arte aplicada. Um fotógrafo, para ser considerado um esteta, precisa ter muito cuidado para não ser coberto pela solicitação da publicidade. Por outro lado, hoje se dá muito mais ênfase ao fotojornalismo.


Onde estão suas fotos hoje?
Infelizmente muita coisa se perdeu ou se estragou com o tempo. Grande parte do meu arquivo está no MIS (Museu da Imagem e do Som), em São Paulo