Embora soe como mais uma novidade tecnológica dos nossos tempos, a fotografia aérea com pipas surgiu no século retrasado. Há cento e vinte anos atrás, em maio de 1888, o inglês Arthur Batut resolveu acoplar uma câmera diretamente na pipa e, com a ajuda de um altímetro, montou a escala de exposição que lhe parecia ideal para uma boa imagem lá de cima; depois do disparo, um sistema improvisado acionava uma bandeirinha que avisava a conclusão do disparo, ou seja, a hora de trazer a pipa de volta. As primeiras imagens saíram turvas, mas, após alguns ajustes, a técnica frutificou em belas imagens aéreas da pequena ville de Labruguière.
Hoje, com todas as especializações da fotografia digital, controles remotos, geringonças complementares e até das próprias pipas, a KAP ganhou mais adeptos e tem sido difundida – principalmente na comunidade fotográfica do Flickr (http://www.flickr.com/groups/kiteaerialphotography/pool/).
No Brasil, por volta de 2006, José Vladimir iniciou uma nova modalidade de fotografia no país, a fotografia aérea com pipa. Naquela época, o curitibano (que é técnico em eletrônica) divulgava um trabalho que se iniciava. Hoje Vladimir transformou a paixão em trabalho: montou sua própria empresa de fotografias em pipas e oferece serviços para planejamentos imobiliários, para paisagismo e eventos ao ar livre. O mote: é muito mais barato e divertido do que alugar um helicóptero.
Para pessoas como José Vladimir, a brincadeira acabou se tornando também uma profissão depois que as funcionalidades práticas da técnica foram reconhecidas. Mas o que fica para nós é essa delícia da união entre os conhecimentos técnicos, cálculos e aplicabilidades tão típicas da vida adulta com a inocência cheia de brisa dessa brincadeira que fez parte da história de crianças de todo o mundo.
Fonte: http://blog.uncovering.org